Uma nova linha de crédito imobiliário está a caminho. Ao que tudo indica, o anúncio oficial do crédito prefixado, que estava previsto somente para março, deve ser feito pela Caixa ainda nos próximos dias. Entretanto, o pouco que já foi divulgado pelo próprio presidente do banco, Pedro Guimarães, aumenta e muito as expectativas para 2020.

Isso porque além de ser mais uma opção frente ao mercado imobiliário, a nova linha promete juros igualmente atrativos aos consumidores. Diferentemente das modalidades já praticadas, o crédito prefixado não terá correção pela TR e nem pelo IPCA, oferecendo taxas abaixo de 10% ao ano. Se comparado à maior taxa do financiamento corrigido pela inflação (4,95% a.a.) somada ao IPCA (3,4%, conforme previsão do último Boletim Focus), o crédito prefixado pode se tornar um forte concorrente, inclusive pelo menor risco que oferece ao tomador de crédito. Enquanto quem opta pelas outras modalidades precisa ficar atento aos índices de correção, quem for optar pelo crédito prefixado não estará sujeito às oscilações do mercado. Ao que parece, a ideia é justamente transferir o risco do consumidor ao banco, em troca de taxas levemente mais altas que as outras modalidades. Outra diferença do crédito prefixado é o prazo para pagamento, que deve ser menor. Hoje o financiamento corrigido pela TR pode ser pago em até 35 anos, enquanto o financiamento corrigido pelo IPCA não ultrapassa os 30 e a nova proposta deve ficar entre 20 e 25 anos.

Para o segmento, essa é mais uma excelente opção para estimular a aquisição de imóveis em um ano que deve continuar bem aquecido. A pouco tempo já vimos um movimento semelhante, que deu uma força extra ao mercado imobiliário na segunda metade de 2019. Segundo dados da Abecip, os valores financiados com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) subiram 37% em 2019. Foram R$ 78,7 bilhões liberados para aquisição e construção de imóveis no último ano. No mesmo ritmo, o número de unidades também subiu. Foram 298 mil imóveis financiados em 2019, um aumento de 30% em comparação ao ano anterior.

Vale ressaltar também a importância da Caixa em manter a competitividade a partir do lançamento de novas opções de crédito imobiliário. Tradicionalmente os demais bancos têm depositado bons esforços para tentar competir lado a lado com a estatal. Volto a lembrar o lançamento do financiamento corrigido pela inflação que incentivou, por exemplo, o Banco do Brasil a lançar uma linha semelhante antes mesmo do ano virar. Outros que se preparam para competir no mercado são Itaú e Bradesco, mas com a expectativa de atender a demanda de outros públicos.

Quem ganha no fim das contas é o consumidor. Com maior investimento no mercado e diferentes opções de financiamento, fica muito mais fácil adquirir o próprio imóvel, com a liberdade de escolher a linha mais adequada à sua realidade. Todas têm seus prós e contras. Quanto menor o risco, consequentemente maior será a taxa fixa, e vice-versa. O importante aqui é pesar muito bem cada medida para poder desfrutar do melhor momento do mercado imobiliário e conquistar sua tão idealizada casa própria.