Importantes medidas para estimular a economia foram anunciadas pelo governo nesta terça-feira (20). Mais uma vez com impactos diretos no mercado imobiliário, as novas regras anunciadas pelo pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, pretendem reduzir as taxas de juros dos financiamentos através de linhas de crédito indexadas ao IPCA, índice oficial da inflação no Brasil.

Tratam-se de novas opções ligadas ao Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que atualmente contempla o financiamento de imóveis de até R$ 1,5 milhão e possui taxa de juros de no máximo 12% ao ano. Com a nova proposta, além das opções já existentes que utilizam a Taxa Referencial (TR), o sistema também passará a disponibilizar linhas corrigidas pelo IPCA.

A grande questão, no entanto, gira em torno do quanto as opções recém lançadas podem ser mais vantajosas ao cliente, visto todo histórico dos dois parâmetros. Se por um lado a TR é definida pelo Conselho Monetário Nacional e permanece zerada desde o último ano, o IPCA, que hoje se encontra em 3,22%, varia conforme o comportamento do mercado e por isso possui maior probabilidade de oscilação. Nos últimos 10 anos, o percentual da TR não ultrapassou os 2,01%, enquanto o IPCA foi a 10,67% somente em 2015, segundo dados do Banco Central e do IBGE. Porém, as projeções são mais otimistas para o índice deste ano. Conforme divulgado pelo relatório Focus desta segunda (19), a expectativa dos economistas para o IPCA reduziu pela segunda semana consecutiva, caindo de 3,76% para 3,71%.

Se concretizadas as previsões, de fato o novo modelo pode gerar uma economia bem significativa para o tomador de crédito. Isso porque o governo também estabeleceu um limite para taxas fixas, que podem variar de 2,95% a, no máximo, 4,95% ao ano. Mesmo somadas ao IPCA previsto para este ano, as novas alternativas tornam-se mais interessantes se comparadas às linhas oferecidas até então com taxas de 8,5% e 9,75% ao ano.

Só é preciso lembrar que uma opção mais econômica, nestes casos, está condicionada também a um risco maior, devido à imprevisibilidade da inflação. Como os financiamentos corrigidos pela Taxa Referencial também serão mantidos, a escolha entre uma opção ou outra vai demandar do consumidor um maior entendimento do mercado e de suas possibilidades. Considerar outros custos além da taxa fixa e do índice de correção é mais uma forma de se precaver de propostas muito atraentes mas que, se avaliadas com bastante cuidado, podem não compensar tanto o Custo Efetivo Total (CET).

Na opinião do diretor da Bortolini Imóveis, Ricardo Bortolini, as medidas divulgadas na última terça-feira podem influenciar positivamente diversos setores, que não apenas o mercado imobiliário. Isso porque a iniciativa do governo de reduzir os juros da aquisição de imóveis, acaba por fomentar o segmento da construção civil, que consequentemente se vê mais confiante, contratando mais profissionais da área, comprando insumos, entre outros elos da cadeia construtiva. “Por isso acredito que o objetivo principal da medida seja estimular a economia como um todo, através a ativação do segmento imobiliário que é tão representativo dentro da cadeia produtiva brasileira”, pontua.